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Coreano

한국어S / 조선말N

Pronúncia:[ha(ː)n.ɡu.ɡʌ]S / [tɕo.sʌŋ.mɑl]N
Outros nomes:한국말 (hangukmal)S/ 조선어 (joseoneo)N
Falado(a) em: Coreia do Sul, Coreia do Norte, China
Total de falantes: c. 81,6 milhões[1]
Posição: 28ª
Família: Coreânica
Escrita: Hangul (alfabeto coreano), Hanja (caracteres chineses, usados raramente)
Estatuto oficial
Língua oficial de: Coreia do Sul Coreia do Sul
Coreia do Norte
 China
(Yanbian e Changbai)
Regulado por: na Coreia do Sul: Instituto Nacional da Língua Coreana
na Coreia do Norte: Instituto de Pesquisa da Linguagem da Academia de Ciência Social
na China: Comissão Reguladora da Língua Coreana
Códigos de língua
ISO 639-1: ko
ISO 639-2: kor
ISO 639-3: kor
Distribuição de falantes do coreano

A língua coreana (em coreano: 한국어 RR: hangugeo, ou 조선말 RR joseonmal) é um idioma da família das línguas coreânicas falado por ambos os países da Coreia do Norte e Coreia do Sul. Linguistas históricos e modernos classificam o coreano como um idioma isolado,[2][3] no entanto, há alguns parentes extintos que, juntamente com o próprio coreano e a língua Jeju (falada na Província de Jeju) formam a família das línguas coreânicas.[4]

Considerada em situação ativa, o coreano é falado por cerca de 81,6 milhões de pessoas[1][5] e é a língua oficial não só da Coreia do Norte e Coreia do Sul, mas também da prefeitura autônoma coreana de Yanbian e do condado autônomo coreano de Changbai, na província de Jilin, na China. Também é falado em partes da ilha russa de Sacalina, da Ucrânia e da Ásia Central.[4][6] Desde o início do século XXI, com o avanço da globalização, a cultura popular coreana se difundiu mundialmente, caracterizando uma exportação cultural, o que influenciou outras milhares de pessoas a aprenderem o idioma.[7]

(História) A península coreana esteve durante milhares de anos sob o domínio chinês e, por isso, o idioma coreano moldou-se com base principalmente na língua chinesa, tendo emprestado diversas palavras e expressões.[8] Antes da criação do hangul, os coreanos utilizavam caracteres chineses de diferentes maneiras para registrar a língua local. Durante a ocupação japonesa na Coreia no século XX, uso do idioma e de nomes coreanos foram proibidos, estabelecendo o uso obrigatório do japonês, o que influenciou diretamente a língua coreana. Após a independência, muitas expressões japonesas caíram em desuso, apesar de algumas palavras ainda terem se mantido no vocabulário coreano.[9][10]

(curiosidades/fenômenos - ainda melhorar) É uma língua aglutinante com o sistema de escrita chamado de hangul, que é um alfabeto fonético. O hangul foi criado pelo rei Sejong, em 1446, com o intuito de ser um sistema de escrita simples de ler e escrever. (explicar romanização)

(pensando em mover-> deixar para a parte de história e ortografia) e anunciou para o povo coreano na Hunminjeongeum (훈민정음), que significa "O direito verbal do sons para ensinar as pessoas" em 1446. O alfabeto coreano tem 19 letras consoantes e 21 letras de vogais. No entanto, em vez de serem escritas sequencialmente como as letras do Alfabeto latino, as letras hangul são agrupadas em blocos, cada um dos quais transcreve uma sílaba. Cada bloco silábico consiste em 2-6 letras, incluindo pelo menos uma letra de consoante (incluindo o símbolo para nulo) e uma vogal. Os caracteres sino-coreanos chamados de hanja, apesar de não serem utilizados no dia a dia, são importantes nos estudos históricos do coreano.

Estátua de bronze do Rei Taejo de Goryeo (877-943), fundador da dinastia Goryeo

O termo coreano é um exônimo para designar a língua coreana. Sua etimologia vem da sufixação Coreia + -ano, o que transforma o nome da península em um adjetivo. Já o nome Coreia deriva do nome da dinastia Goryeo (고려), que deteve poder sobre o país de 918 a 1392, e cujo nome significa "alto e grande".[11][12]

Os endônimos mais utilizados pelos sul-coreanos para designarem a língua coreana é hangugeo (한국어) e hangukmal (한국말), no qual é formada pela junção de hanguk + -eo/-mal (한국 + -어/-말); Hanguk é o nome coreano da Coreia e significa "o país dos Han", em referência aos Três Reinos da Coreia (também conhecido pelo nome Samhan); -eo (-어) e -mal (-말) são partículas que possuem significado de "língua" ou "idioma". Na Coreia do Norte, utilizam-se os termos joseonmal (조선말) ou joseoneo (조선어), em que Joseon foi o nome do território coreano durante a última dinastia que dominou o país antes da divisão, cujo significado é "terra da manhã calma" e é como os norte-coreanos referenciam o próprio país até hoje.[13][14]

Vista de Seoul em 1894, durante a era Joseon

O coreano é falado por cerca de 81,6 milhões de pessoas, as quais a grande maioria vive na Coreia do Sul e Coreia do Norte. A taxa de alfabetização em ambos é significativamente alta, sendo o primeiro, 98%[15] e o segundo, 100%.[16] No entanto, a partir do século XIX, muitas pessoas deixaram seu país de origem por razões econômicas e políticas, especialmente após a anexação da península pelo Japão, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Coreia, o que resultou na formação de diversas comunidades fora do país. As principais delas se encontram nas prefeituras autônomas de Yanbian e Changbai na China, na ilha russa de Sacalina e em países como Estados Unidos, Japão, e outros da Ásia Central. Abaixo segue o número de falantes das principais comunidades coreanas ao redor do mundo:[17][18][19][20]

País Falantes
Coreia do Sul Coreia do Sul 51 milhões
Coreia do Norte 26 milhões
 China 2,2 milhões
 Estados Unidos 2 milhões
 Japão 400 mil
 Uzbequistão 170 mil
Cazaquistão 100 mil
 Rússia 60 mil
 Ucrânia 20-40 mil
Zonas dialetais coreanas

A língua coreana é relativamente homogênea e dialetos de diferentes áreas (em coreano chamados de mal (말), saturi (사투리) ou bangeon (방언)) são mutuamente inteligíveis. Não há correlação clara dos dialetos com a divisão dos antigos reinos históricos que já dominaram o país. A divisão geográfica dos dialetos é naturalmente dividida pela topografia, uma vez que a Coreia é um país montanhoso. Tranter (2012) classifica a existência dos seguintes dialetos:[21]

  • Dialetos de Pyeongan (noroeste)
  • Dialetos de Hamgyeong (nordeste)[nota 1]
  • Dialetos centrais (incluíndo as províncias de Kyeonggi, Hwanghae, Kangwon e Chungcheong)
  • Dialetos de Joella (sudoeste)
  • Dialetos de Gyeongsang (sudeste)
  • Dialetos de Jeju (ilha de Jeju)[nota 2]

Uma das diferenças mais marcantes entre os dialetos é o uso do tom: falantes do dialetos ao leste (Gyeongsang e Hamgyeong) mantêm as distinções de algumas palavra pelo acento tonal herdado do coreano médio, mas falantes dos dialetos do oeste (Pyeongan, Central e Jeolla) perderam esse traço. Alguns dialetos também preservam sons do coreano médio, como as consoantes [z] e [β], e a vogal [ʌ] que foram perdidos do idioma padrão. além de apresentarem fenômenos como a palatalização, que será explicada com mais detalhes na seção de Fonologia.[25] Em geral, as divergências não comprometem a comunicação, embora existam certas diferenças lexicais, como apresentado no quadro comparativo abaixo:

Palavras únicas de cada dialeto comparadas com o dialeto central[25]
Significado Central (Padrão) Pyeongan
almoço 점심 jeonsim 찬밥 chanbab
mãe 어머니 eomeoni 오마니 omani
roupa ot 우티 uti
Significado Central (Padrão) Hamgyeong
batata 감자 gamja 갱개 gaenggae
inverno 겨울 gyeoul 동사미 dongsami
raposa 여우 yeou 예끼 / 엥끼 yekki / engkki
Significado Central (Padrão) Joella
fumaça 연기 yeongi 냉깔 naengkkal
ser espesso 두껍다 dukkeobta 분겁다 bungeobta
soluço 딸꾹질 ttalkkukchil 페깍질 pekkakchil
Significado Central (Padrão) Gyeongsang
apressar 깝치다 kkabchida 재촉하다 jaechokhada
벌써 beolsseo 하마 hama
roubar 훔치다 homchida 후비다 hubida
Significado Central (Padrão) Jeju
cozinha 부엌 bueok 계염지 gyeyeomji
formiga 개미 gaemi 정제 jeongjae
osso ppeo kkawng

Além dos dialetos regionais, o coreano falado na Coreia do Norte e na Coreia do Sul se desenvolveram de maneiras consideravelmente diferentes após a divisão do território na Guerra da Coreia. Autores sul-coreanos afirmam que a língua padrão (pyojuneo ou pyojunmal) da Coreia do Sul e da Coreia do Norte é baseada no dialeto da área ao redor de Seul, mas desde 1966, a Coreia do Norte declara oficialmente que seu padrão é baseado no discurso de Pyongyang.[26][27][28]

Exemplos de diferenças de vocábulos entre Norte e Sul[28][29]
Significado Coreia do Sul Coreia do Norte
logo got 인차 incha
vegetal 채소 chaeso 남새 namsae
banheiro 화장실 hwajangsil 위생실 wisaengsil
mútuo 상호 sangho 호상 hosang
mulher 여자 yeoja 려자 ryeoja
linha 대열 daeyeol 대렬 daeryeol
vingança 복수 boksu 복쑤 bokssu
milho 옥수수 oksusu 강냉이 kangnaengi

Embora o coreano seja frequentemente classificado como um idioma isolado, historicamente foram levantadas duas hipóteses relevantes acerca da possível origem do coreano: que esse faça parte da família altaica ou que esteja relacionado com a língua japonesa. A primeira hipótese baseia-se principalmente na similaridades fonológicas, morfológicas e de sintaxe, tais como a harmonia vocálica, o verbo ao final da sentença e a aglutinação, bem como uma grande quantidade de palavras semelhantes. Já a segunda baseia-se na hipótese de que muitas palavras das duas línguas estejam ligadas etimologicamente. Apesar de não haver um consenso acerca das duas hipóteses, estudiosos ainda procuram saber o motivo de tantas semelhanças entre o coreano e essas as línguas, se é por causa de uma origem em comum ou resultado de uma relação histórica de contato entre elas.[30]

O coreano moderno descende do coreano médio, que por sua vez descende do coreano antigo, que descende da língua proto-coreana, que geralmente é sugerida como tendo seu Urheimat em algum lugar na Manchúria.[31][32] Whitman (2012) sugere que os protocoreanos, já presentes no norte da Coreia, expandiram-se para a parte sul da Península Coreana por volta de 300 a.C., coexistindo ou assimilando-se a populações de agricultores de línguas japônicas do Período Mumun. O contato entre esses grupos e um posterior efeito fundador reduziram a diversidade interna de ambas as famílias linguísticas.[33]

Pedra imsin seogi seok, que contem escrituras em caracteres chineses mas com sintaxe quase puramente coreana. Encontrada em 1934 na cidade de Kyeongju.

Antes de possuir um alfabeto próprio, a língua coreana era registrada com caracteres chineses. Na península coreana, essa escrita começou a ser amplamente usada no século I a.C, com a ocupação dos Han, e permaneceu como meio de escrita formal do governo até o final do século XIX.[34] Entretanto, restam poucos vestígios desses primeiros textos e a forma com que eram pronunciados não é facilmente recuperável hoje, pois o corpus preservado é muito reduzido e o sistema de transcrição não é claro. Por isso, o chamado “Coreano Antigo” é, em grande parte, uma reconstrução.[35][36][37]

Havia duas maneiras de usar esses logogramas: para aproximar sons ou para sugerir significados, e que deram origem às escritas idu, hyangchal.[23][38]. Essas forma de registro foi usada por toda península durante o período dos Três Reinos, mas foi em Silla, o último reino a adotar a escrita chinesa, que se encontra a adaptação dos caracteres chineses mais avançada da época para transcrever o coreano. Ali, os poemas conhecidos como hyangga [en] (향가; hanja: 鄕歌) ou ‘canções locais’, foram escritos em uma combinação complexa de grafemas chineses, alguns sugerindo significado, outros sugerindo sons, e mais alguns com associações ainda misteriosas.[36]

Sabe-se que a influência chinesa no vocabulário da língua cresceu durante o período do Coreano Antigo. Tal influencia se mantém presente, por exemplo, na prática de nomeação coreana. Em 757, o rei Gyeongdeok ordenou que todos os lugares fossem nomeados com dois caracteres chineses, o que posteriormente também virou uma prática para nomes pessoais e que perdura até hoje.[39]

O período da língua conhecido como coreano médio durou do século X, com a estabilização da dinastia Goryeo em 918, até o final do século XVI, quando o caos instaurado pela invasão japonesa, em 1592, interrompeu os registros da língua. A divisão entre a primeira e segunda fase do coreano médio é determinada pelo inicio da dinastia Joseon em 1392 e a promulgação do Hangul em 1446.[40]

As pessoas da era do coreano médio viveram um período de grandes dinastias e desenvolvimentos culturais. Durante a dinastia Goryeo, o budismo consolidou-se como a religião do estado e o país ficou conhecido pelos potes Celadão, xilogravura e a Tripitaca Coreana. Posteriormente, a era Joseon marcou uma ascensão do neoconfucionismo, o que levou a diversas reformas no governo, na educação e na hierarquia social. A aristocracia yangban, uma estrita escola oficial, dominavam a política e a sociedade, enquanto as classes mais comuns representavam a maioria.[41]

Proclamação do Rei Sejong da escrita Hangul, escrita em chinês clássico

A primeira fase foi marcada pela mudança de capital para a região central da península, em que a elite estabeleceu uma nova base para a língua, que afastasse as características usadas na antiga capital em Silla. Nesse período, ainda se usava os caracteres chineses como fonogramas[42] Exemplos de documentos históricos desse período são as listas de vocabulários Jīlín lèishì (鷄林類事, ‘Vários assuntos de Jīlín) e Hyangyak gugeoppang (鄕藥救急方). Além desses textos, foram encontrados também, em 1973, anotações sobre a gramática do coreano médio em sutras budistas do período da dinastia Goryeo, chamados de gugyeol. Em 2000, foram descobertos também os textos gakpil, que usavam um sistema de escrita adaptado de traços e pontos para descrever a gramática coreana. O gugyeol usado após as invasões mongóis na Coreia em meados do século XIII difere daquele usado anteriormente em estilo e gramática. Nam Pung-hyun (2012) sugere que a língua mudou devido à perturbação causada pelas invasões e pela ocupação.[43][40]

A segunda fase do coreano médio inicia-se com a introdução de um novo alfabeto a partir do ano de 1446, quando o Rei Sejong, o Grande, desenvolveu pessoalmente um sistema de escrita alfabética, conhecido hoje como Hangul, para promover a alfabetização entre as pessoas comuns.[24][44][45] Introduzido no documento Hunminjeongeum (훈민정음; hanja: 訓民正音), o alfabeto hangul foi denunciado pela aristocracia yangban, que o desprezava por ser muito fácil de aprender.[46][47] No entanto, ganhou amplo uso entre a classe comum[48] e foi amplamente utilizado para imprimir romances populares que eram apreciados por essa classe.[49] Os registros a partir desse período são mais claros e completos, com definições precisas de aspectos fonológicos, morfológicos e sintáticos da língua. Por ser uma escrita relativamente simples, o eonmun ('escrita coloquial'), como era chamado, se espalhou rapidamente por todo o país, aumentando a alfabetização da população.[40] Nessa época ainda eram usados pontos diacríticos para marcar os tons das palavras e duração das vogais.[50]

Características fonológicas desse período ainda são mantidas por alguns dialetos. As variedades faladas em Gyeongsang e Hamgyeong ainda usa tons para diferenciar palavras. Jeju manteve a vogal [ʌ], que é descendente da vogal area a ( • ) do coreano médio. Gyeongsang, Hamgyeong e Jeolla ainda possuem, na pronúncia de algumas palavras, o som das antigas consoantes <ㅿ> [z], e <ㅸ> [β] , que foram perdidas no idioma padrão atual.[51]

Exército japonês desembarcando em Busan na Guerra de Imjin (1592-1598)

O coreano moderno teve inicio após a invasão japonesa na Coreia que deu início aos sete anos da Guerra de Imjin. Nesse período nenhum livro foi publicado, em decorrência dos terríveis anos de fome e doenças causados pela guerra. Quando foi retomado cerca de quinze anos depois, o coreano já havia mudado. Os pontos diacríticos que eram usados para marcar tons haviam desaparecido, a consoante <ㅿ> [z] também caiu em desuso, outros grupos consonantais e tipos de grafias eram confusos e inconsistentes e os padrões gramaticais foram alterados de forma notável. Por causa disso, por muito tempo acreditou-se que as guerras contra os japoneses fizeram as pessoas mudarem o jeito que falavam e escreviam.[52]

Encerrada a guerra, a Coreia começou a ter mais contato com a civilização ocidental, inicialmente através da China Ming, que influenciou fortemente o surgimento de novas tecnologias e nova literatura. No século XVIII, o espírito do Sirhak, ou 'aprendizado prático', e o interesse popular por poesia e ficção deram origem a novas formas literárias e a uma ascensão da escrita vernácula em Hangul. As obras ainda recorriam ao vocabulário sino-coreano, mas buscavam incorporar a linguagem cotidiana. Mais tarde, a partir do contato com outras nações ocidentais, o catolicismo e novos conhecimentos sobre astronomia, geografia e outras ciências naturais passaram a ser conhecidas na Coreia. Era comum que esses conhecimentos fossem trazidos por coreanos que passavam tempos morando fora e depois retornavam a Coreia. No entanto, por mais tênue que fosse esse contato, o Ocidente começou exercer influência sobre como a população coreana enxergava o mundo e sua própria língua.[53]

Documentos governamentais, textos religiosos, manuais medicinais, manuais militares, diários, cartas e livros didáticos de idiomas são alguns exemplos de textos que permitem estudar como funcionava o coreano moderno. Além desses, destaca-se também as novelas, que como dito anteriormente, eram extremamente populares entre o povo coreano. As primeiras publicadas tinham estilo e temas bastante aristocratas, como Guun mong (九雲夢, 'Um sonho de nove nuvens'), mas posteriormente essas histórias ganharam popularidade entre a população comum e os temas abordados passaram a tratar desde críticas sociais até contos morais e histórias de amor melodramáticas. O romance Hong Kiltong cheon (洪吉童傳), uma história de um heroico lutador pela justiça social datada por volta da segunda década do século XVII, é considerado o primeiro desses romances vernáculos. Essa obra popular foi logo seguida por uma variedade de outros romances e a história mais famosa e popular de todas é O Conto de Chunhyang, uma história de amor que transcende a classe social.[54]

Vista da torre de Seoul

O coreano contemporâneo surge quando o país começa a passar por mudanças sociais e políticas em decorrência da ascensão irregular no cenário global no final do século XIX, após abrir os portos para nações estrangeiras em 1875, com o Tratado de Ganghwa. Nesse contexto nasce um sentimento de nacionalismo e a urgência por desenvolvimento e modernização, que culminaram na Reforma Gabo de 1894, cujo intuito era definir uma linguagem padrão para um bom funcionamento do governo e da sociedade. A reforma aboliu os exames confucionistas e decretou que os documentos governamentais seriam emitidos em Hangul em vez de chinês clássico.[55][56] Alguns jornais foram publicados em Hangul, mas outras publicações usaram escrita mista coreana, com Hanja para o vocabulário sino-coreano e Hangul para outros elementos.[57]

A ocupação japonesa da Coreia durante 35 anos deixou alguns vestígios no coreano na forma de empréstimos do japonês, neologismos sino-japoneses e empréstimos ocidentais. No entanto, tanto na Coreia do Norte quanto na Coreia do Sul, os movimentos de purificação concentraram-se na erradicação dos traços de "infiltração" japonesa no coreano, e apenas alguns, não óbvios, permanecem.[58]

Uma característica marcante do coreano falado na Coreia do Sul pós Guerra da Coreia é a grande quantidade de empréstimos de outras línguas, principalmente do inglês, mas de outras línguas europeias também, tal como o francês. Além disso, a Coreia do Sul emergiu no cenário global nas últimas décadas como um país tecnológico, e a internet começou a mudar a forma como os coreanos vivem e se comunicam uns com os outros. O impacto da vida baseada na internet na língua coreana ainda é substancial e não muito claro.[58]

O coreano tem 19 fonemas consonantais. A língua apresenta uma distinção tripla nas oclusivas surdas e são classificadas como: planas (/p/, /t/, /t͡ɕ/, /k/), aspiradas (/pʰ/, /tʰ/, /t͡ɕʰ/, /kʰ/) e tensas (/p͈/, /t͈/, /t͡ɕ͈/, /k͈/).[59]

O símbolo do AFI para representar as consoante tensas é ⟨◌͈⟩ - uma aspa dupla reta subscrita - é usado para denotar as consoantes Fortis /p͈/, /t͈/, /k͈/, /t͡ɕ͈/, /s͈/. Seu uso oficial nas extensões ao IPA é para articulação Fortis, mas é usado na literatura, no contexto da fonologia coreana, para voz gutural.[60]

Quadro consonantal do coreano[61][62]
Bilabial Dental/Alveolar Alvéolo-palatal Velar Glotal
Plosiva plana p t k
tensa
aspirada
Africada plana , ts
tensa t͡ɕ͈
aspirada tɕʰ, tsʰ
Fricativa plana s h
tensa
Nasal m n ŋ
Tap/ Lateral l~ɾ
Palavras de exemplo para os fonemas consoanantais
IPA Exemplo
Coreano Pronúncia Tradução
p [pul] fogo
[p͈ul] buzina
[pʰul] grama
m [m͊ul] água
t [tal] lua; mês
[t͈al] filha
[tʰal] máscara
n [n͊al] dia
자다 [tɕada] dormir
t͈ɕ 짜다 [t͈ɕada] salgado
tɕʰ 차다 [tɕʰada] estar/ser frio; chutar
k [ki] energia
[k͈i] talento; refeição
[kʰi] altura
ŋ [paŋ] quarto
s [sal] vida
[s͈al] arroz não cozido
ɾ 바람 [paɾam] vento; desejo
l [pal]
h 하다 [hada] fazer

As consoantes planas /p/, /t/, /t͡ɕ/, /k/ quando posicionadas entre vogais são vozeadas, mas quando posicionadas no início das palavras, se tornam desvozeadas e são pronunciadas com uma leve liberação de ar.[63]

As aspiradas /pʰ/, /tʰ/, /t͡ɕʰ/, /kʰ/ são consoantes desvozeadas e características pela forte liberação de ar quando pronunciadas. Essa liberação costuma ser mais forte quando estão posicionadas no inicio da palavra, e um pouco menor quando estão no meio.[63]

As tensas /p͈/, /t͈/, /k͈/, /t͡ɕ͈/, /s͈/ são pronunciadas com uma tensão muscular na região da laringe e sofrem um efeito similar ao de consoantes glotalizadas de línguas nativas da América do Norte, mas sem nenhum som glotal emitido separadamente. Quando posicionadas no meio da palavra, o tempo de oclusão das tensas é mais longo do que o das consoantes planas.[59][63]

Consoantes soantes ocorrem quando um som é produzido com um fluxo de ar contínuo e não-turbulento no trato bucal.

As nasais são completamente vozeadas e ao final de sílabas podem ser pronunciadas com uma duração um pouco maior. O /m/ antes de /u/ ou /o/ é frequentemente pronunciado como [mᵇ] ou [ᵐb]. O /n/ antes de /i/ ou /e/ às vezes é pronunciado como [nᵈ] ou [ⁿd], como em ne (네; 'sim').[64]

A nasal velar /ŋ/ não ocorre no início das palavras, apenas quando posicionada como batchim (quando a consoante é posicionada na parte de baixo do bloco silábico do hangul). O grafema <ㅇ>, que representa esse fonema, também é usado para acompanhar vogais sozinhas, mas nesse caso ele não é pronunciado.[65]

A letra <ㄹ> é uma vibrante alveolar [ɾ] entre vogais ou entre uma vogal e um /h/. É [l] ou [ɭ] no final de uma palavra, antes de uma consoante diferente de /h/, ou próximo a outro /l/; nesses contextos, é palatalizado para [ʎ] antes de /i, j/ e antes de alofones consonantais palatais. Há variação livre no início de uma palavra, onde esse fonema tende a se tornar [n] antes da maioria das vogais e mudo antes de /i, j/, mas é comumente [ɾ] em palavras emprestadas do inglês. O /ll/ geminado é realizado como [ll]/[ɭɭ], ou como [ʎʎ] antes de /i, j/.[65]

A distinção entre as duas fricativas /s/ e /s͈/ é frequentemente difícil de perceber e muitos coreanos, especialmente do sul, parecem não ter essa distinção em sua fala local. Quando elas são seguidas por /i/ ou /wi/ sofrem palatalização e são pronunciadas como [ɕ].[65]

A letra <ㅎ> /h/ não ocorre em final de palavras. Entre vogais é pronunciada como /h/, mas após consoantes ela costuma ser silenciosa, como em gominhada (고민하다; 'preocupar') que é pronunciado como [go-mi-na-da].[66]

As vogais no coreano são divididas entre 10 monotongos e 12 ditongos. As vogais ㅟ /wi/ e ㅚ /oe/ fazem parte dos dois grupos e podem ser pronunciadas, respectivamente, como [y] ou [wi] e [ø] ou [we].[50]

Inventário vocálico de monotongos do coreano[67]
Anterior Posterior
não arredondada arredondada não arredondada arredondada
Fechada ㅣ /i/ [i] ㅟ /wi/ [y] ㅡ /eu/ [ɯ] ㅜ /u/ [u]
Média ㅔ /e/ [e] ㅚ /oe/ [ø] ㅓ /eo/ [ɤ] ㅗ /o/ [o]
Aberta ㅐ /ae/ [ɛ] ㅏ /a/ [a]
Inventário vocálico de ditongos do coreano[67]
Anterior Posterior
Fechada ㅢ /ui/ [ɯi̯] ㅟ /wi/ [wi] ㅠ /yu/ [ju]
Média ㅞ /we/ [we]

ㅖ/ye/ [je]

ㅚ /oe/ [we] ㅝ /wo/ [wɤ],

ㅕ /yeo/ [jɤ]

ㅛ /yo/ [jo]
Aberta ㅙ /wae/ [wɛ],

ㅒ /yae/ [jɛ]

ㅘ /wa/ [wa],

ㅑ /ya/ [ja]

Vogais curtas
Vogais longas

Antigamente, as vogais longas eram usadas para diferenciar o significado de palavras, mas atualmente são usadas principalmente para exagerar ou enfatizar expressões. Exemplos:[50]

  • 아주 (aju) (aːju) 'muito'
  • 크게 (keuge) → (keuːge) 'de uma forma grandiosa'
  • 조금만 (jogeuman) → (joːgeuman) 'só um pouco'

As vogais coreanas também podem ser classificadas em dois grupos de acordo com suas características harmônicas. São eles: yang ou 'claras', que inclui as vogais /a/, /o/, /ae/ e /oe/; um ou 'escuras', que inclui as vogais /i/, /eu/, /eo/, /u/, /e/, /wi/.[68]

A harmonia vocálica se aplica sistematicamente na conjugação verbal. Quando a sílaba final de um verbo tem a vogal yang /o/ ou /a/, o sufixo que denota os verbos eo- muda para a vogal yang /a/. Exemplo:

  • 막었다 (mag-eotta) → [막았다] (mag-atta) 'foi bloqueado'
  • 먹었다 (meo-geo-tta) 'comeu'

No entanto, os grupos harmônicos não formam classes foneticamente naturais no coreano contemporâneo. Isso se deve a mudanças históricas e ao fato de nenhum dos esforços feitos para encontrar traços sincronizados se provou convincente.

1) Batchim

Batchim (받침) é o nome que a consoante recebe quando posicionada no final de uma sílaba, ou seja, localizada na parte de baixo no bloco silábico do hangul. O som de algumas consoantes pode mudar quando posicionadas como batchim e seguidas por outra consoante, como mostra o quadro abaixo.[71]

Pronúncia de consoantes como batchim quando seguidas por outra consoante
Pronúncia
Tipo de batchim [k] [n] [t] [l] [m] [p] [ng]
Simples g ㅋ k ㄲ kk ㄴ n ㄷd ㅌt ㅅ s ㅆ ss ㅈ j ㅊch ㄹ l ㅁ m ㅂ b ㅍ p ㅇng
Composto ㄳ ks ㄺ lk ㄵ nk ㄶ nh ㄾ lt ㅀ lh ㄻ lm ㄼ lb ㅄbs ㄿ lp

Quando uma consoante está no batchim e é seguida por uma vogal, os dois sons são ligados, como nos seguintes exemplos:

  • 꽃이 (kkot-i) → [꼬치] (kko-chi) 'flor + partícula de objeto'
  • 있어요 (it-eo-yo) → [이써요] (i-sseo-yo) 'tem/existe'

Isso também ocorre em batchims compostos, que são lidos pronunciando as duas consoantes quando seguido por uma vogal. Os que não sofrem esse fenômeno são os compostos nh (ㄶ) e lh (ㅀ), pois o h (ㅎ) permanece silencioso. Veja os exemplos a seguir:

  • ks → 몫이 [mok-si] 'compartilhar'
  • lk → 읽어요 [il-geo-yo] 'ler'
  • nk → 앉아 [an-ja]
  • lth → 핥아요 [hal-ta-yo] 'lamber'
  • lm → 삶이 [sal-mi] 'vida + partícula de objeto'
  • bs → 없어요 [eop-seo-yo] 'não tem/existe'
  • lph → 읊어요 [eul-peo-yo] 'recitar'

2) Tensionamento: o batchim reforça a pronúncia da consoante plana que vem a seguir, tornando-a tensa. Exemplo:

  • 걱정 (geok-jeong) → [걱쩡] (geok-jjeong) 'preocupação'

3) Palatalização: a vogal que mais afeta as consoantes é a /i/ e a semivogal /j/, que fazem o /s/ e o /s͈/ soarem como [ɕ] e [ɕ͈] e /t/ e /tʰ/ mudam para /tɕ/ e /tɕʰ/. Exemplos:

  • 같이 (gat-i) → [가치] (ga-chi) 'junto'
  • 씨앗 (ssi-at) → (shi-at) 'semente'

4) Assimilação de consonantes com /l/: a consoante muda para se adequar ao /l/ que vem em seguida, que também se transforma na consoante nasal /n/. Exemplo:

  • 압력 (ap-ryeok) → [암녁] (am-nyeok) 'digitar'

5) Assimilação nasal: quando as plosivas /k/, /t/ e /p/ são posicionadas antes de /n/ ou /m/ se tornam nasalizadas e pronunciadas como /ng/. Exemplo:

  • 국물 (guk-mul) → [궁물] (gung-mul) 'sopa'

6) Redução de consoante: quando em um batchim duplo, só uma das consoantes é pronunciada, e reforça a pronuncia da consoante que vem em seguida. Exemplo:

  • 읽다 (ilg-da) → [익따] (ik-tta) 'ler'

7) Assibilação: /t/ é pronunciado como /s/ antes de /s/ ou /s͈/. Exemplo:

  • 버섯 냄새 (beo-seot naem-sae) → [pɤ-sɤn-nɛm-sɛ] 'cheiro de cogumelo'

8) Assimilação lateral: quando /n/ e /l/ se encontram em qualquer posição e são pronunciados como [ll]. Exemplo:

  • 칼날 (khal-nali) → [kʰa-llal] 'lâmina de faca'

9) Fraqueza do /h/: o /h/ torna-se silencioso quando é precedido por outra consoante. Exemplo:

  • 쌀하고 (ssal-ha-go)→ [ssa-ɾa-ɡo] 'com arroz'

Apesar de o coreano padrão não possuir mais tons, os dialetos de Gyeongsang e de Hamgyeong ainda mantêm o acento tonal do coreano médio para distinguir palavras. A tabela abaixo mostra como diferentes tons mudam o significado de algumas palavras.[72]

Comparação dos tons entre os dialetos de Gyeongsang e Hamgyeong
Vocabulário Gyeongsang Hamgyeong Vocabulário Gyeongsang Hamgyeong
cavalo MAL-i (HL)[a] mal-I (LH)[b] pêra BAE-ga (HL) bae-GA (LH)
quarto (1/4) MAL-I (HH)[c] MAL-i (HL) barriga BAE-GA (HH) BAE-ga (HL)
idioma MAːL-i (H-LongL)[d] dobro BAEː-ga (H-LongL) -
  1. High-Low, significa que a primeira sílaba é de tom alto e a segunda, de tom baixo
  2. Low-High, significa que a primeira sílaba é de tom baixo e a segunda, de tom alto
  3. High-High, significa que as duas sílabas são de tom alto
  4. High-LongLow, significa que a primeira sílaba é de tom alto e a segunda é de tom baixo com uma vogal longa

No coreano padrão, a entonação da fala serve principalmente para determinar o tipo de sentença. Por exemplo, uma afirmação ou uma solicitação possuem um tom descendente, perguntas abertas costumam ter um contorno ascendente-descendente e perguntas de sim ou não, tom ascendente. O quadro a seguir exemplifica como a entonação pode mudar o significado da sentença:[50]

Entonação Tipo de sentença Pronúncia Significado
descendente (↓) afirmação ka (algo/alguém) vai
solicitação Vá!
ascendente-descendente (↘) pergunta aberta wae ka? Por que vai?
ascendente (↑) pergunta sim ou não ka? Vai?

O sistema de escrita utilizado no coreano é o alfabeto hangul, composto por 24 caracteres simples, sendo 10 vogais e 14 conasoantes, que combinados geram mais 11 vogais e 5 consoantes compostos.[73] As tabelas a seguir mostram as letras do coreano, os dois tipos mais comuns de romanização e o fonema que representam. Na tabela das consoantes, também é mostrado o nome das letras.

Ortografia das vogais do coreano
Hangul Romanização

revisada

Romanização

Yale

Fonema Aproximação
a [a] alma
ya [ja] viagem (pronunciado rápido)
eo e [ɤ] avó
yeo ye [jɤ] pior (pronunciado rápido)
i [i] minhoca
eu u [ɯ] ugh (interjeição)
o (w)o [o] mosca
yo y(w)o [jo] iodo (pronunciado rápido)
u (w)u [u] uva
yu y(w)u [ju] youth (inglês)
Compostas
ae ay [ɛ] pé
yae yay [jɛ] yes (inglês)
e ey [e] elefante
ye yey [je] hiena
ui uy [ɯi̯] oui (francês)
wa [wa] quatro
wae way [wɛ] when (inglês)
oe (w)oy [ø]
we wey [we] Wendy (nome em inglês)
wi wuy/wi [y] winter (inglês)
wo we [wɤ] won (inglês)
Ortografia das consoantes do coreano
Hangul Nome Romanização

revisada

Romanização

Yale

Fonema Aproximação
giyeok g, k k [k] coma / lago
nieun n [n] nariz
digeut d, t t [t] tomate / dado
rieul r, l l [ɾ], [l] water (inglês americano) /

Carl (nome em inglês)

mieum m [m] minhoca
bieup b, p p [p] pato / cabelo
siot s [s] sair
ieung ng [ŋ] Congo
jieut j c [] jam (inglês)
chieut ch [tɕʰ] tchau
kieuk k kh [] kiss (inglês)
tieut t th [] team (inglês)
pieup p ph [] pay (inglês)
hieut h [h] real
Compostas
ssanggiyeok kk [k͈]
ssangdigeut tt [t͈]
ssangbieup pp [p͈]
ssangsiot ss [s͈]
ssangjieut jj [t͈ɕ]

O grafema <ㅇ>, além de ser usado para representar o fonema /ng/ quando posicionado no final da sílaba, também é usado no início da sílaba para acompanhar as vogais na escrita e, nesse caso, não possui valor fonético.[74] Exemplos:

  • 우유 (u-yu) 'leite'
  • 아이 (a-i) 'criança'
  • 양 (yang) 'ovelha'
Estrutura da palavra han-gul

O coreano não é escrito linearmente como outros alfabetos, mas sim com blocos silábicos, com cada letra ocupando um espaço específico da sílaba. Esse sistema de escrita em sílabas tornou possível a escrita na vertical ou na horizontal. O coreano contemporâneo, em especial, é escrito na horizontal, da esquerda para a direita.[75]

Exemplo de ordem dos traços para escrever a letra chieut (ㅊ)

Tradicionalmente, as sílabas coreanas são escritas de cima para baixo, da esquerda para a direita e divididas em uma consoante inicial (em vermelho), uma vogal (em azul) e uma consoante final, também chamadas de batchim (받침) (em verde), permitindo os seguintes formatos:[76]

As consoantes que são posicionadas ao final da sílaba recebem o nome de batchim (받침) e podem ser divididas entre:[77]

  • Simples:
Pronúncia [k] [n] [t] [l] [m] [p] [ng]
Batchim ㄱ g ㅋ k ㄲ kk ㄴ n ㄷd ㅌt ㅅ s ㅆ ss ㅈ j ㅊch ㄹ l ㅁ m ㅂ b ㅍ ph ㅇng
  • Compostas:

Os batchim compostos são formados por duas consoantes. As consoantes compostas são diferentes das consoantes duplas.

Pronúncia [k] [n] [l] [m] [p]
Batchim ㄳ ks ㄺ lk ㄵ nk ㄶ nh ㄾ lt ㅀ lh ㄻ lm ㄼ lb ㅄbs ㄿ lph

A língua segue a estrutura SOV, ou seja, "Sujeito-Objeto-Verbo", e o determinante é colocado antes da palavra que modifica. Não há artigos, gênero ou número. Os verbos não são conjugados de acordo com a pessoa (eu, tu, ele/ela/isso, etc.), mas incorporam diversos determinantes, como aspecto, tempo e grau de formalidade. Partículas invariáveis ​​indicam a função da palavra na frase. Conectivos entre duas orações são integrados ao verbo da primeira oração a ser conectada.

Em coreano, os graus de polidez são frequentemente expressos por sufixos adicionados ao verbo. Esses sufixos diferenciam entre respeito e humildade.

Honoríficos

Ao falar sobre alguém de status superior, o coreano utiliza substantivos e terminações verbais especiais para indicar respeito. São considerados de status superior pessoas mais velhas, desconhecidos de idade igual ou maior, professores, empregadores ou clientes; já indivíduos mais jovens, estudantes ou funcionários são vistos como de status igual ou inferior. Há terminações específicas usadas em frases declarativas, interrogativas e imperativas, tanto em contextos formais quanto informais.

Tradicionalmente, o sistema honorífico coreano era rigidamente hierárquico, refletindo as estruturas de castas e estamentos da época, com regras complexas e altamente estratificadas. Na Coreia contemporânea, os honoríficos ainda são usados, mas principalmente para marcar distância psicológica ou respeito a pessoas de posição mais elevada, como anciãos, professores e empresários. [78]

Níveis de fala

Em coreano, existem sete paradigmas verbais que indicam diferentes níveis de formalidade e respeito nas interações sociais. Cada nível tem um conjunto próprio de terminações verbais que são usadas dependendo da situação, refletindo o respeito ou a consideração que o falante tem pelo público ou interlocutor.

Esses sete níveis são baseados na forma imperativa não honorífica do verbo 하다 (hada, "fazer") e o sufixo (che), que significa "estilo". Os três primeiros níveis são considerados formas de alta polidez e são conhecidos como jondaenmal (조댓말), englobando o nível muito formal, formal e casualmente formal. Por outro lado, os dois níveis de baixa polidez (formalmente indelicado e casualmente indelicado) são conhecidos como banmal (반말).[78]

Assim como outras línguas, há um teste que avalia os conhecimentos de língua coreana realizado em diversos países. O teste é conhecido em inglês pela sigla TOPIK, e é realizado uma ou duas vezes ao ano, dependendo do país.

  1. Os dialetos das prefeituras autônomas de Yanbian e Changbai podem ser incluídas nos dialetos de Hamgyeong, pois suas similaridades estão relacionadas com a imigração do povo Hamgyeong para a área e o subsequente contato linguístico. As línguas faladas pelos coreanos que vivem na Ásia Central, em países como Uzbequistão e Cazaquistão, evoluiu do dialeto Yukchin, que faz parte dos dialetos de Hamgyeong. Apesar de ter mantido muitas formas arcaicas, também apresentam várias inovações em comparação com o Yukchin original.[22]
  2. O dialeto de Jeju pode ser considerado uma língua separada do coreano por apresentar diferenças significativas quanto aos outros dialetos falados na península.[23][24]

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